Minha trajetória nunca foi linear, e é justamente isso que define a forma como penso, desenvolvo e aplico os desenvolvimentos até hoje. Essa construção tem raízes claras, tanto na minha história pessoal quanto nas experiências que moldaram meu caminho.
Desde cedo, encontrei na tecnologia e na ciência um caminho natural. Aos 13 anos, recebi o diagnóstico de autismo, à época classificado como Síndrome de Asperger, hoje compreendido dentro do espectro como Autismo nível 1 de suporte, com confirmações posteriores ao longo da vida, o que influenciou diretamente a forma como observo, interpreto e estruturo soluções.
Somado a isso, condições como TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada), agorafobia, síndrome do pânico e discalculia ideognóstica, que envolve dificuldade na compreensão de conceitos matemáticos abstratos e na recordação de regras matemáticas após o aprendizado, trouxeram desafios adicionais. No meu caso, esses fatores não foram limitadores, se tornaram uma forma diferente e altamente estruturada de observar, interpretar e resolver problemas.
Ainda na adolescência, iniciei minha formação em programação, eletrotécnica e eletromecânica. Ao longo dos anos, expandi esse caminho para áreas como fisiologia, biomecânica, neuroengenharia, entendida aqui como uma área da tecnologia, biônica, cibernética, bio-robótica e a integração entre sistemas biológicos e artificiais, sempre com foco em aplicação prática.
Ao longo da minha trajetória, busquei formação contínua, agregando conhecimentos técnicos e estratégicos, incluindo estudos em políticas globais de desenvolvimento e saúde. Porque conhecimento, por si só, não constrói propósito. É preciso direcionamento.
Em 2009, minha esposa, Sabrina, foi diagnosticada com câncer ósseo. O que se seguiu foi uma imersão direta na realidade do sistema de saúde, acompanhando de perto desafios, limitações e decisões críticas em um cenário onde tecnologia e acesso nem sempre caminham juntos.
Durante o tratamento, que incluiu a amputação da perna afetada, tornou-se evidente a distância entre o que é tecnologicamente possível e o que, de fato, chega às pessoas.
Sabrina faleceu em 30 de junho de 2010, após um ano e meio de luta.
Essa experiência marcou um ponto de virada definitivo. Não como conceito, mas como decisão.
A partir desse momento, direcionei minha trajetória para o desenvolvimento de soluções que façam sentido no mundo real, mais acessíveis, mais eficientes e mais conectadas às necessidades das pessoas.
Minha atuação se consolidou tanto em desenvolvimentos diretos quanto em contribuições estratégicas, atuando também como orientadora e conselheira em projetos. Atualmente, sou Técnica em Mecatrônica, Responsável Técnica registrada no CRT e neuroengenheira, com foco na interface entre sistemas biológicos e tecnológicos.
Além disso, curso Comércio Exterior com o objetivo de ampliar minha compreensão sobre políticas e direito internacional, fortalecendo minha atuação em contextos globais.
A forma como penso também é parte essencial desse processo. Meu perfil neurodivergente me permite estruturar sistemas, reorganizar informações e encontrar soluções de forma não convencional, muitas vezes reduzindo complexidade e custo sem comprometer desempenho.
Essa construção não acontece isoladamente. É resultado de uma continuidade ao longo de gerações, uma base histórica que influencia diretamente a forma como interpreto problemas e desenvolvo soluções hoje.
Ao longo da minha trajetória, enfrentei desafios significativos, especialmente por romper padrões e não seguir caminhos tradicionais. Ainda assim, sigo avançando, estruturando projetos, desenvolvendo tecnologias e ampliando minha atuação com visão de longo prazo.
Hoje, meu foco está em construir soluções com impacto real, expandir atuação internacional e ocupar espaços estratégicos onde decisões relevantes são tomadas, contribuindo ativamente para a evolução da tecnologia aplicada e seu acesso no mundo real.
Também enfrentei descrédito por não fazer parte do meio acadêmico tradicional, optando por desenvolver pesquisas e soluções de forma independente, com maior agilidade e foco prático, evitando a morosidade de sistemas que, em muitos casos, deixaram de acompanhar as necessidades reais da população.
Acredito que fé e ciência não são opostas, mas complementares. Minha fé em Deus faz parte da forma como enxergo o mundo e as responsabilidades que assumo, enquanto a ciência é a ferramenta que utilizo para compreender, desenvolver e transformar essa realidade. Ambas coexistem de forma natural, cada uma com seu papel, sem minimizar ou substituir a importância da outra.
Porque, no fim, tecnologia, ciência e conhecimento só fazem sentido quando melhoram vidas e chegam a quem realmente precisa.
Reconhecimentos que validam a consistência, a visão estratégica e a aplicação prática das soluções desenvolvidas ao longo da trajetória.
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